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01/06/10
Projeto investe em tecnologia para melhorar cultura da banana

Dois projetos executados pela Embrapa Acre, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com recursos de emendas parlamentares de autoria dos deputados federais Henrique Afonso (PV/AC) e Fernando Melo (PT/AC), prometem mudar a realidade dos cultivos de banana no Acre. Desenvolvidos em parceria com o Governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), e prefeitura de Cruzeiro do Sul, os projetos vão proporcionar a agricultores familiares o acesso a mudas resistentes à Sigatoka Negra, principal doença da bananicultura.



Até o mês de agosto serão distribuídas 47 mil mudas de bananas resistentes, nas variedades Maravilha e Japira (do tipo prata) e Thap Maeo (do tipo maçã), a produtores de todos os municípios do Estado. De acordo com Manoel Delson Campos, coordenador das atividades da Embrapa no Vale do Juruá, a entrega do primeiro lote, com 10 mil plantas, acontece no mês de maio e beneficiará agricultores dos municípios de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves, Mâncio Lima, Porto Valter e Marechal Thaumaturgo.
“A ação contemplará produtores residentes em projetos de colonização e ribeirinhos que moram às margens dos rios Juruá, Liberdade e Juruá Mirim. Um dos critérios de seleção das famílias é ter a cultura da banana como principal fonte de renda”, explica.



A cultura da banana é praticada por milhares de agricultores e ribeirinhos acrianos, mas a Sigatoka negra vem comprometendo os plantios no Estado. A doença, que ataca principalmente as bananas prata e maçã, mata os bananais, provocando grandes perdas na produção e prejuízos para os produtores. No Vale do Juruá, apesar do aumento da área cultivada, nos últimos anos a produção vem sendo reduzida em virtude do problema.



As comunidades cadastradas para receber as mudas melhoradas foram selecionadas em parceria com a Secretaria de Agricultura de Cruzeiro do Sul, priorizando as áreas com aptidão para a cultura. A entrega do material também será feita de forma conjunta, pelas duas instituições. Para implantação e manutenção dos plantios, os produtores receberão orientações de técnicos da Seaprof.


 



Ampliação dos plantios



Na região do Juruá, inicialmente cem famílias receberão as mudas, diretamente nas propriedades, para formação de novos bananais. Delson Campos destaca que além de cultivarem o próprio plantio, os produtores ficarão responsáveis pela multiplicação do material, que será distribuído a outras famílias, para ampliação dos plantios e aumento do número de beneficiados com a tecnologia.


Segundo Ernir Brovski, secretário de agricultura do município de Cruzeiro do Sul, a maioria destes agricultores vive em locais muito distantes e isolados. No caso dos ribeirinhos, as áreas escolhidas envolvem distâncias que levam até três dias para serem percorridas, partindo de Cruzeiro do Sul.


Na opinião do secretário, o problema da Sigatoka negra faz com que os produtores pratiquem a cultura de forma itinerante, abandonando os roçados atacados pela doença, para plantar novas áreas, mas esta prática não resolve o problema.


O desenvolvimento de variedades de banana resistentes a doenças tem sido uma das prioridades de pesquisa da Embrapa, especialmente nos Estados da Bahia e Acre, para desenvolvimento da bananicultura. A tecnologia, disponibilizada para empresas especializadas em melhoramento genético vegetal, vem sendo difundida nas diversas regiões do País. Para atender a demanda do Juruá, parte das mudas que serão entregues aos produtores foi produzida no laboratório de biotecnologia da Embrapa Acre (Rio Branco) e parte adquirida junto a uma empresa de Salvador (BA).



A banana está entre as frutas mais apreciadas e cultivadas no mundo, pelo sabor agradável e propriedades nutricionais que apresenta. Consumida de forma in natura ou em pratos da culinária das diversas regiões do Brasil, no Acre a fruta faz parte da dieta alimentar da população. Brovski explica que os constantes ataques da Sigatoka negra aos bananais do Juruá contribuem para reduzir a oferta e aumentar o preço da fruta. “A tendência é que a banana se torne um produto cada vez mais raro na região”, diz.



Ainda na opinião do secretário, a utilização de variedades resistentes e o manejo adequado dos bananais vão contribuir para melhorar as condições fitossanitárias dos plantios e garantir a manutenção da cultura. "Além disso, as novas variedades também apresentam boa produtividade e isto pode abrir novas perspectivas de mercado para os produtores", enfatiza.



Nos dois projetos também estão previstas ações para o desenvolvimento de outra cultura tradicional no Estado: a mandioca, bem como para o incremento de atividades como a pecuária de leite e criação de pequenos animais.



Diva Gonçalves (Mtb-0148/AC) - Embrapa Acre - Contato: (68) 3212-3200 - diva@cpafc.embrapa.br
Assessoria de Comunicação do Deputado Federal Henrique Afonso