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Biografia
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Universidade

da

Floresta

UNIVERSIDADE DA FLORESTA: UMA CONQUISTA HISTÓRICA PARA O ALTO JURUÁ

 

COMO NASCEU A UNIFLORA

 

ORIGEM E FUNDAMENTAÇÃO DA PROPOSTA

 

IMPORTÂNCIA PARA O ACRE E SUDOESTE AMAZÔNICO

 

A ESCOLHA DO NOME “UNIVERSIDADE DA FLORESTA”

 

CONSTRUINDO A UNIVERSIDADE DO SÉCULO XXI NA FLORESTA DO ALTO JURUÁ

 

INSTITUIÇÕES E ORGANIZAÇÕES REPRESENTADAS NO SEMINÁRIO A UNIVERSIDADE DO SÉCULO XXI NA FLORESTA DO ALTO JURUÁ

 

UM CAMINHO A SEGUIR

 

UNIFLORESTA: CRONOLOGIA DE LUTAS E CONQUISTAS HISTÓRICAS

 

DISCURSO DO DEPUTADO HENRIQUE AFONSO NO PLENÁRIO DACÂMARA DOS DEPUTADOS EM 04/12/2004


GRUPO DE TRABALHO INTERMINISTERIAL

 

UNIFLORA - UM MODELO DE ENSINO PARA INTEGRAR PRÁTICAS CIENTÍFICAS E TRADICIONAIS

 

A EXPANSÃO DO CAMPUS DE CRUZEIRO DO SUL

 

INSTITUTO DE BIODIVERSIDADE E DO MANEJO SUSTENTÁVEL DOS RECURSOS NATURAIS

 

MISSÃO DO INSTITUTO

 

CEFLORA - CENTRO DE FORMAÇÃO E TECNOLOGIA DA FLORESTA


UM ELO DE LIGAÇÃO ENTRE OS SABERES CIENTÍFICOS E OS SABERES DAS POPULAÇÕES DA FLORESTA

 

O CEFLORA COMO INTEGRAÇÃO, ENSINO, PESQUISA E DIFUSÃO

ESTRUTURA FÍSICA E AMBIENTES DO CEFLORA

 

CEFLORA – CURSOS

 

A INAUGURAÇÃO DA UNIVERSIDADE DA FLORESTA

 

AGRADECIMENTOS A TODOS QUE AJUDARAM A TRANSFORMA A UNIFLORA EM UMA REALIDADE

 

ENTREVISTA DO DEPUTADO HENRIQUE AFONSO SOBRE A UNIFLORA

 

ENTREVISTA - UNIVERSIDADE DA FLORESTA VAI REUNIR CIENTISTAS E PAJÉS

 

ENTREVISTA - A PERSPECTIVA DE QUEM CHEGA /
DOS PAMPAS AOS SERINGAIS

 

A UNIVERSIDADE DA FLORESTA É NOTICIA NO BRASIL E NO MUNDO

 

 

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UNIVERSIDADE DA FLORESTA:
Uma conquista histórica para o Alto Juruá


O Deputado Federal Henrique Afonso não mediu esforços desde o primeiro momento de seu mandato para levar adiante uma proposta tão audaciosa quanto necessária. Com grande habilidade política o deputado foi capaz de superar inúmeras dificuldades, contribuindo substancialmente para fortalecer uma verdadeira rede de diálogos sobre pesquisa, ensino e extensão, que hoje envolve não somente diversos setores da sociedade civil acreana mas, também importantes instituições de ensino e pesquisa do Brasil e do exterior. Juntamente com essa grande rede, e com apoio irrestrito dos Senadores do Estado do Acre, a proposta de uma Universidade da Floresta - que originalmente surgiu no grande Encontro sobre a Universidade no Século XXI realizado na cidade de Cruzeiro do Sul no ano de 2003 – ganhou aliados importantes dentro do Governo Federal, do Governo do Estado, da Comunidade Acadêmica e nas organizações populares do Acre. Como disse a Senadora Marina Silva no ato de posse do Grupo de Trabalho Interministerial “a criação da Universidade da Floresta se tornou inevitável porque resultou das luta soberana da sociedade acreana”. A História do Alto Juruá certamente saberá reconhecer a sensibilidade e coragem do deputado Henrique Afonso Soares Lima.

Para a Universidade da Floresta do Alto Juruá os desafios estão apenas começando. Trata-se um grande projeto de cooperação entre cientistas e populações locais no campo e também na reflexão e elaboração contínua de idéias. O Deputado Henrique Afonso considera que o conhecimento dos povos da floresta comporta tanto a experimentação como a reflexão teórica – e isso se vê em discussões sobre manejo, sobre troca de sementes ou tecnologias e testemunhamos a elaboração de ontologias que são tão válidas quanto as teorias científicas. Isso quer dizer que o conhecimento dos povos da floresta não é um produto acabado que apenas é transmitido passivamente: é um corpo que está sendo produzido sob nossos olhos, articulando à sua maneira tanto na prática e também... na teoria.

 

Clique aqui e veja uma apresentação em slides sobre os objetivos e da Universidade da Floresta

 

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COMO NASCEU A UNIFLORA
 

Universidade da Floresta, uma experiência integradora de Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Sustentável e Inclusão Social no Acre.

 

Clique aqui e veja uma apresentação em slides de como nasceu a Universidade da Floresta

 

Clique aqui e veja fotos do Deputado reunido com o Governador para apresentar a proposta da UNIFLORA

 

 

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ORIGEM E FUNDAMENTAÇÃO DA PROPOSTA

 

Desejo histórico do Movimento dos Povos da Floresta no Acre, em seu auge com liderança de Chico Mendes a partir da década de 70, a idéia de uma Universidade da Floresta foi compartilhada também por intelectuais e lideranças políticas.  A plataforma com as diretrizes e pressupostos para a Universidade da Floresta foi lançada em outubro de 2003 durante seminário que reuniu representantes de 85 organizações governamentais e não - governamentais e a comunidade de 5 municípios do Alto Juruá no Teatro Nauas, em Cruzeiro do Sul.

 

Universidade da Floresta foi proposta numa estrutura institucional constituída.

 

 Três unidades integradas formarão a Universidade da Floresta: Instituto da Biodiversidade e Manejo dos Recursos Naturais; o Campus Avançado e o Centro de Formação e Tecnologias da Floresta (CEFLORA), todos sediados em Cruzeiro do Sul – AC.

 

O grande diferencial desta Universidade, é a união do rico conhecimento popular dos povos da floresta com o conhecimento científico de professores e pesquisadores brasileiros, auxiliados por leis e ações que regulem o conhecimento nativo além de gerar ciência e tecnologia e, ajudar no combate à biopirataria.

 

Estabelecida numa região de grande diversidade humana e cultural e de grande diversidade biológica, a Universidade da Floresta tem como Missão:

 

  • Fomentar o processo de desenvolvimento na Amazônia Ocidental, tendo como meta o bem-estar humano apoiado no  uso sustentável e conservação dos recursos naturais.
  • Gerar, através da pesquisa e do ensino, um modelo de conservação, manejo e planejamento regional com ampla participação comunitária, no contexto dos sistemas socioculturais e econômicos da região.
  • Ousar realizar um projeto científico, tecnológico e social que esteja inserido na vanguarda da ciência; consolidando e ampliando a capacidade de pesquisa já desenvolvida no Estado;   
  • Interiorizar as atividades de ciência e tecnologia na região, criando novos pólos de ensino, pesquisa e desenvolvimento como início de uma rede de campi avançados de ensino, pesquisa e formação também em outras micro-regiões.
  • Disseminar o conhecimento científico e tecnológico, e incluir do processo de produção e aplicação do conhecimento as populações da floresta, tornando-as parceiras na busca de soluções para o uso sábio, justo e eficiente do potencial do Estado do Acre.
  • Reconhecer e proteger os direitos intelectuais dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, contribuir para a justa repartição dos benefícios da biodiversidade. 
  • Apoiar experiências positivas que contribuam para o bem-estar humano e para a continuidade de serviços ecossistêmicos e a conservação da riquíssima biota do sudoeste amazônico.

 

 

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IMPORTÂNCIA PARA O ACRE E SUDOESTE AMAZÔNICO

 

No Estado do Acre há uma rede legal de áreas protegidas de diversas categorias, como Terras Indígenas, Parque Nacional, Estação Ecológica, Floresta Nacional e Reservas Extrativistas, que abrangem mais da metade da extensão total do Vale do Juruá.

 

 A idéia da Universidade da Floresta no Juruá se deu principalmente pela grande riqueza da biodiversidade e cultura desta região.

 

 É a região do estado com menor índice de desmatamento (segundo o INPE, participou com 549 quilômetros quadrados de desmatamento, o que significa apenas 2,3% dos 23.750 km2 de florestas que foram desmatados em todos os estados da Amazônia em 2003); contem 19 áreas indígenas e 6 etnias (Kaxinawá, Ashaninka, Katukina, Jaminawá e Arara, além dos que recebem a classificação de "índios isolados"), um parque nacional e a primeira Reserva Extrativista criada no Brasil.

 

Do ponto de vista estratégico, a implementação de um centro de ensino e pesquisa desta natureza na área de fronteira tríplice fortalecerá o intercâmbio cultural, político e econômico com a Bolívia e o Peru e, adicionalmente, responderá a uma crescente demanda social por resultados de pesquisa, pela formação de nível superior e pela capacitação técnica. Estas demandas são críticas na região do Alto Juruá em particular devido a continuidade de antigas e justas aspirações da região no sentido de participar com igualdade do processo de desenvolvimento do Estado do Acre. 

 

Clique aqui e veja apresentação em slide sobre a importância da UNIFLORA para o Alto Juruá

 

 

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A ESCOLHA DO NOME “UNIVERSIDADE DA FLORESTA”


Ela tem este nome, pois está voltada para a Floresta Amazônica, ou seja, a Universidade quer aproveitar o que a floresta oferece sem destruí-la (proteção da biodiversidade e cultura). O seu diferencial é a união do rico conhecimento popular dos médicos da floresta com o conhecimento científico de professores e pesquisadores brasileiros com o auxílio de leis e ações que regulem o conhecimento nativo além de gerar ciência e tecnologia e combater a biopirataria que, é o contrabando de diversas formas de vida da flora e fauna e a apropriação e monopolização dos conhecimentos das populações tradicionais no que se refere ao uso dos recursos naturais. Muitas patentes e marcas já foram registradas derivadas de elementos da flora e da fauna brasileira como o cupuaçu (Theobroma Grandiflorum), copaíba (Copaifera sp), Kambô (Phyllomedusa bicolor ), ayahuasca (Banisteriopsis caapi ) entre outros. 

 

Para maiores informações, localizar o site da Universidade da Floresta:

 

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CONSTRUINDO A UNIVERSIDADE DO SÉCULO XXI

NA FLORESTA DO ALTO JURUÁ

 

Desde alguns anos atrás discute-se no estado do Acre a criação de uma forma de ensino adequada à noção de florestania, isto é, um modelo de educação integrada que capacite os alunos a diagnosticar os problemas típicos da região amazônica e ao mesmo tempo incentive a implantação de respostas criativas por eles formuladas. Durante esse debate acadêmico sobre a adaptação do sistema de ensino acreano à realidade regional apareceu simultaneamente em lugares diferentes do Estado a idéia de uma Universidade da Floresta  tendo como conceito unificador o diálogo entre saberes científico e tradicional

 

O embrião de um sistema de ensino e pesquisa includente já está presente há muito tempo nas experiências de ensino indígena, coordenadas sobretudo pela Comissão Pró-Índio do Acre; nas experiências de ensino de seringueiros realizadas pelo Centro de Trabalhadores Amazônicos; nas atividades de pesquisa do Parque Zoobotânico da UFAC com seringueiros da Reserva Extrativista Chico Mendes, na região de Xapuri; nas experiências de pesquisa e monitoramento com seringueiros da Reserva Extrativista do Alto Juruá; na pesquisa sobre terapias tradicionais conduzidas pelo Centro de Medicina da Floresta, entre outros . Além da UFAC e  da grande rede de organizações sociais acreanas que participam desse processo histórico também fazem parte dessa rede de cooperação instituições de outros Estados como a Universidade Federal de Viçosa, a Universidade de Brasília, a Universidade Estadual de Campinas, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e do Museu Goeldi, sem deixar de mencionar o importante apoio instituições estrangeiras como o Jardim Botânico de Nova Iorque, o Centro de Pesquisa Woods Hole e o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento, entre outros.


Todas essas experiências e debates começaram a tomar a forma de uma proposta específica em 09 de outubro de 2003, quando mais de 500 pessoas lotaram o auditório do Teatro dos Nauas em Cruzeiro do Sul para participar do primeiro dia de atividades do seminário a Universidade do Século XXI na floresta do Alto Juruá. O evento foi organizado com a intenção de proporcionar um momento histórico para o Vale do Juruá. Acadêmicos, representantes de mais de 80 organizações governamentais e não governamentais e centenas de pessoas de vários municípios da região reuniram-se para o lançamento dos subsídios de um novo projeto de Ensino integrado à Pesquisa e participação comunitária. Nesse dia o deputado Henrique Afonso, principal proponente e organizador do encontro, discursou “Ousaremos, com muito trabalho e sem nenhuma vaidade, estabelecer um projeto piloto para o Juruá e para o Brasil: um programa de desenvolvimento sustentável que possa promover a economia de floresta e o povo que vive dentro e ao redor dela.”

 

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INSTITUIÇÕES E ORGANIZAÇÕES REPRESENTADAS NO SEMINÁRIO A UNIVERSIDADE DO SÉCULO XXI NA FLORESTA DO ALTO JURUÁ

 

  1. 61º Batalhão de Infantaria e Selva – 61 BIS
  2. AMAZONLINK
  3. Assessoria Especial do MCT
  4. Associação dos Seringueiros da Reserva Extrativista do Alto Juruá
  5. Associação dos Seringueiros e Agricultores do Rio Liberdade
  6. Câmara Municipal de Cruzeiro do Sul
  7. Câmara Municipal de Guajará – Amazonas
  8. Câmara Municipal de Porto Walter - AC
  9. Conselho Consultivo do Parque Nacional da Serra do Divisor
  10. Conselho de Movimentos Populares
  11. Conselho Indigenista Missionário
  12. Cooperativa das Associações dos  Seringueiros e Agricultores do Vale do Juruá
  13. Corpo de Bombeiros de Cruzeiro do Sul
  14. Departamento Estadual de Água e Saneamento
  15. Escola Divina Providência
  16. Escola Estadual Antônio de Barros Freire
  17. Escola Estadual Antônio de Oliveira Dantas
  18. Escola Estadual Artur Lebre
  19. Escola Estadual Barão do Rio Branco
  20. Escola Estadual Borges de Aquino – Porto Walter
  21. Escola Estadual Craveiro Costa
  22. Escola Estadual Craveiro Costa
  23. Escola Estadual Dom Henrique Ruth
  24. Escola Estadual Hugo Carneiro
  25. Escola Estadual Manoel Braz de Melo
  26. Escola Estadual Mustafá de Almeida Tobu
  27. Escola Estadual Oswaldo D´Albuquerque Lima
  28. Escola Estadual Padre Alfredo Nuss
  29. Escola Estadual Professor Flodoardo Cabral
  30. Escola Estadual Professora Quita
  31. Escola Estadual Rego Barros
  32. Escola Estadual São José
  33. Escola Estadual Valério Caldas de Magalhães
  34. Escola José Carlos
  35. Escola Presbiteriana
  36. Fórum da Comarca de Cruzeiro do Sul
  37. Fundação Nacional de Saúde - FUNASA
  38. Gabinete da Deputada Federal Perpétua Almeida
  39. Gabinete do Deputado Federal Henrique Afonso
  40. Gabinete do Governador do Estado do Acre
  41. Gabinete do Senador Geraldo Mesquita
  42. Gabinete do Senador Siba Machado
  43. Gabinete do Senador Tião Viana
  44. Grupo de Pesquisa e Extensão em Sistemas Agroflorestais do Acre -PESACRE
  45. Grupo Indígena NUKINI – Mâncio Lima
  46. Hospital Geral de Cruzeiro do Sul – AC
  47. Instituto Brasileiro de Meio Ambiente  e Recursos Naturais Renováveis
  48. Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá - IDSM/MCT
  49. Instituto de Ensino Superior, Ciências e Tecnologia do Vale do Juruá
  50. Instituto de Meio Ambiente do Acre – IMAC
  51. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA
  52. Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia – INPA/MCT
  53. Jardim Botânico de Nova Iorque
  54. Jornal Página 20
  55. Jornal Voz do Norte
  56. Museu Paraense Emílio Goeldi – MPEG/MCT
  57. Núcleo de Tecnologia Estadual
  58. Pastoral da Juventude
  59. Polícia Militar de Cruzeiro do Sul
  60. Pré – Escolar Beija- Flor
  61. Procuradoria Estadual
  62. Rádio AM e FM Juruá
  63. Rádio Verdes Florestas
  64. Secretaria de Educação de Guajará - Amazonas
  65. Secretaria de Educação Superior – SESU/MEC
  66. Secretaria de Estado de Agropecuária - SEAP
  67. Secretaria de Estado de Assistência Técnica e Extensão Rural – SEATER
  68. Secretaria de Estado de Cidadania e Assistência Social Secretaria de Estado de Produção Familiar e Extrativismo - SEPROF
  69. Secretaria de Estado de Saúde
  70. Secretaria Municipal de Agricultura
  71. Sindicato dos Moto – Taxistas
  72. Sindicato dos Trabalhadores de Educação do Acre
  73. Sindicato dos Trabalhadores de Saúde do Acre
  74. Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cruzeiro do Sul
  75. TV A Gazeta
  76. TV Tuxi
  77. União da Juventude Socialista
  78. União dos Jovens Secundaristas – UJS
  79. Universidade de Brasília – UnB
  80. UNICAMP
  81. Universidade Federal de Viçosa – UFV
  82. Universidade Federal do Acre – UFAC

 


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UM CAMINHO A SEGUIR

 

Ao final dos debates do seminário A Universidade do Século XXI na Floresta do Alto Juruá foi proposta a criação de um grupo de estudos para formular e apresentar ao Governo Federal a proposta de criação de uma Universidade da Floresta com os seguintes propósitos:
 
• Contribuir para o processo de desenvolvimento na Amazônia Ocidental, tendo como meta o bem-estar humano apoiado no o uso sustentável e conservação dos recursos naturais.


•Gerar, através da pesquisa e do ensino, um modelo de conservação, manejo e planejamento regional com ampla participação comunitária, no contexto dos meios de produção e sistemas socioculturais da região.


• Realizar um projeto científico, tecnológico e social inserido na vanguarda da ciência, consolidando e ampliando um modelo de política científica emergente no estado do Acre: a integração das comunidades locais no processo de produção do conhecimento, tornando-as parceiras na busca de soluções para o uso sábio e eficiente do potencial econômico e ecológico do Acre.


• Interiorizar as atividades de ciência e tecnologia no sudoeste amazônico, criando novos pólos de ensino, pesquisa e desenvolvimento que possa ser reproduzido em outras micro-regiões do Acre.


• Reconhecer e proteger os direitos intelectuais dos povos indígenas e das comunidades tradicionais       e dessa forma contribuir para a repartição justa dos benefícios da biodiversidade. 

• Apoiar e expandir experiências positivas que contribuam para o bem-estar humano e para a continuidade de serviços ecossistêmicos e a conservação da riquíssima biota do sudoeste amazônico.

 

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• Estabelecer mecanismos de integração de experiências em níveis regional e internacional, construindo um sistema de informação para subsidiar decisões coletivas sobre a conservação e uso sustentável da biodiversidade. Para tanto a Universidade da Floresta buscará, a partir da base formada pela Universidade Federal do Acre e dos projetos de cooperação científica nacionais e internacionais já existentes, atrair a cooperação técnica de centros de pesquisa da Amazônia e dos demais estados do Brasil. Esta rede de cooperação promoverá atividades na região sudoeste da Amazônia para estimular o intercâmbio de experiências de pesquisa entre os povos da floresta, ajudando a fortalecer as relações culturais, políticas e econômicas entre Brasil, Peru e Bolívia.

 

Clique aqui e veja fotos do Seminário

 

 

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UNIFLORESTA: CRONOLOGIA DE LUTAS E CONQUISTAS HISTÓRICAS

 

Os debates no teatro Nauas em 2003 e as diretrizes que dele saíram marcaram o início de um longo processo de diálogo e articulação entre a comunidade acadêmica, representantes da sociedade civil, do governo do Estado do Acre e do governo federal. Confira a seguir a retrospectiva dos principais eventos e ações visando a implantação do campus UFAC Floresta, do CEFLORA e do Instituto da Biodiversidade e Manejo Sustentável dos Recursos Naturais

 

Outubro de 2003 – O Deputado Henrique Afonso promove o Seminário A Universidade do Século XXI na Floresta do Alto Juruá,reunindo diversos setores da sociedade civil e da comunidade acadêmica acreana em Cruzeiro do Sul com o intuito de criar subsídios para um novo projeto de desenvolvimento regional sustentável

 

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Dr. Irving Foster Brown(UFAC/Woods Hole Research Center): a partir deste seminário queremos passar a construir o melhor sistema de educação integrada do mundo, unindo
ensino superior, pesquisa e ensino profissionalizante com ampla participação da comunidade do Alto Juruá.

 

 

Novembro de 2003 – Reunião em Brasília lança plataforma política do projeto Universidade da Floresta com apoio do governo do estado, da bancada federal e da Ministra do Meio Ambiente Marina Silva.

Fevereiro de 2004 –  Com apoio do gabinete do deputado Henrique Afonso um grupo de trabalho formado por pesquisadores, professores e alunos da UFAC, UNICAMP, UnB, UFV, INPA e EMBRAPA, representantes da sociedade civil e do governo estadual reúne-se na sede da UFAC redigir o projeto executivo orientador da implantação da Universidade da Floresta conforme os princípios lançados no Seminário de 2003.

 

Março de 2004 – O deputado Henrique Afonso apresenta o projeto executivo da Universidade da Floresta para a ministra Marina Silva e pede que o MMA assuma um papel mais direto na articulação política do projeto no nível de governo federal.

 

Abril de 2004 – O projeto executivo da Universidade da Floresta é apresentado ao Ministro da Educação pelo antropólogo Mauro Almeida, acompanhado do deputado Henrique Afonso e da Ministra Marina, O Ministro destaca a visão estratégica do projeto e garante que o MEC não poupará esforços para ajudar a viabilizar a implantação da proposta.

 

 

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Tarso Genro: O projeto Universidade da Floresta é extremamente inteligente e terá a médio prazo a capacidade de construir uma novo pólo político e econômico naquela região estratégica  para o Brasil.

 

 

 

 

Agosto de 2004 – Reuniões em Cruzeiro do Sul debatem publicamente estratégias para criação do Instituto da Biodiversidade e Manejo Sustentável dos Recursos Naturais.  Uma minuta de regimento prevendo um Conselho Gestor Inter-Institucional presidido pela UFAC é elaborada.

 

Dezembro de 2004 – Ministério da Educação anuncia inclusão do projeto Universidade da Floresta em seu plano de expansão, autorizando a UFAC a contratar de imediato 31 novos docentes para Cruzeiro do Sul e criar 03 novos cursos de graduação para o Vestibular 2006.

 

Dezembro de 2004 – Consulta pública realizada pela UFAC em Cruzeiro do Sul define a criação dos primeiros 03 novos cursos que serão criados a partir de 2005: Ciências Biológicas, Engenharia Florestal e Enfermagem.

Março de 2005 – Deputado Henrique Afonso pede apoio do Ministério da Cultura para o projeto Universidade da Floresta.

 

Abril de 2005: Depois de reuniões com o deputado federal Henrique Afonso e o senador Siba Machado, o governador do Acre Jorge Viana anuncia investimentos em infra-estrutura para recuperação das vias de acesso e das instalações do campus Canela Fina, contrapartida exigida do governo do Estado pelo Ministério da Educação para viabilizar o início do funcionamento dos novos cursos do campus Floresta da UFAC.


Maio de 2005 –
Portaria Interministerial 132 cria Grupo de Trabalho (GTI) no âmbito dos Ministérios do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia e Educação para consolidar implantação do projeto Universidade da Floresta.

 

Junho de 2005 – O Reitor da UFAC, Jonas Filho e a vice-reitora, Olinda Batista, acompanhados pelo deputado federal Henrique Afonso, entregaram ao MEC o projeto arquitetônico e de engenharia para reforma e ampliação do novo Campus Canela Fina em Cruzeiro do Sul, incluindo cópias de resoluções do Conselho Universitário conferindo autonomia ao campus e e também termos de compromissos assinados pelo Governo do Estado, ELETROACRE, UFAC e BrasilTelecom firmando compromisso para pavimentação do acesso ao campus, ampliação da rede elétrica e de telefonia.

Junho de 2005 -  Ministra Marina Silva dá posse ao grupo de trabalho interministerial Universidade da Floresta em Rio Branco, incluindo representantes de diversos setores da sociedade civil e da comunidade acadêmica nacional. Nessa oportunidade o GTI revisou a proposta de regimento do Instituto da Biodiversidade elaborada em agosto de 2004 e encaminhou o documento para avaliação pelo Conselho Universitário da UFAC.

 

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Marina Silva: Temos que ter humildade para colher o que a sociedade produziu de melhor e transformar em políticas públicas. Emposso o Grupo de Trabalho Interministerial Universidade da Floresta justamente com esse intuito. Tenho que destacar que dentro da nossa estratégia de promover a conservação da Amazônia e ao mesmo tempo garantir a inclusão social um projeto como esse é perfeito.

 

 

Setembro de 2005– III Encontro dos Povos da Floresta é realizado em Cruzeiro do Sul. Lideranças comunitárias reivindicam mais espaço na Universidade da Floresta e pedem cursos abrangentes no Centro de Formação e Tecnologia das Floresta.

 

Setembro de 2005 – Projeto de Cooperação Brasil-França sobre Agrobiodiversidade é aprovado pelo CNPq. Instituto da Biodiversidade será um dos pólos da pesquisa, com atividades previstas para os municípios de Marechal Taumaturgo e Cruzeiro do Sul.

 

Setembro de 2005 – O ministro da Educação Fernando Hadad assina convênio de R$ 7,5 milhões para reforma do campus Canela Fina e anuncia a criação de mais sete novos cursos de graduação até o ano de 2008. Para suprir as vagas demandadas pelos novos cursos a UFAC será autorizada a contratar mais 95 professores para o seu campus de Cruzeiro do Sul.
 
Outubro de 2005 – Projeto de Inclusão Digital e Cidadania do Centro de Formação e Tecnologias da Floresta/CEFLORA é aprovado pelo CNPq, prevendo aquisição de equipamentos, mobiliário e bolsas para coordenadores e capacitadores dos projetos.


Novembro de 2005 -
O Programa de Pesquisas em Biodiversidade – PPBio/MCT -- anuncia investimento de R$ 560,000,00 em atividades do projeto Pesquisa e Monitoramento da Diversidade Biológica e Cultural do Alto Juruá a ser executado em 2006. O projeto prevê a expansão da infra-estrutura das coleções biológicas da UFAC, a criação de um Sistema de Informações para o Instituto da Biodiversidade e o desenvolvimento de projetos de pesquisa participativa em diversas áreas temáticas. Os recursos desse projeto foram originados por emenda do deputado Henrique Afonso ao Orçamento Geral da União.

 

Novembro de 2005 – empossados os 31 primeiros professores contratados para criar em Cruzeiro do Sul os novos Centros de Ciências Biológicas, Engenharia Floresta e Enfermagem. Também são contratados professores para os cursos já existentes de Pedagogia e Letras.

 

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Deputado Henrique Afonso: temos que tratar a biodiversidade como uma questão de Estado. A riqueza biológica é mais preciosa para o desenvolvimento da Amazônia do que o petróleo ou os minérios. Continuaremos lutando pelo Ensino Público, Gratuito e de Qualidade associado à pesquisa básica e aplicada

 

 

 

Dezembro de 2005 – Começa a funcionar em Cruzeiro do Sul o Centro de Formação e Tecnologias da Floresta, voltado ao ensino profissionalizante.

Dezembro de 2005 –
A ONG AmazonLink anuncia a realização do Encontro Andino-Amazônico sobre Pesquisas em Biodiversidade e Conhecimentos Tradicionais Associados entre 15 e 19 de fevereiro de 2006 no Instituto da Biodiversidade. Os principais objetivos do encontro serão (a) estabelecer um termo de referência para pesquisa sobre biodiversidade de uso terapêutico tradicional no âmbito da Universidade da Floresta em particular e na região andino-amazônica de um modo geral e (b) promover o intercâmbio de experiências de pesquisa entre diversos povos da região andino-amazônica.

 

Janeiro de 2006 – Iniciam-se as atividades de campo do Instituto da Biodiversidade (PPBio/MCT), com a  participação de professores e pesquisadores da UFAC, UNICAMP, INPA, Amazonlink e Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento e Woods Hole Research Center.

 

Fevereiro de 2006 – é realizado exame vestibular para o campus Floresta com provas nos municípios de Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Feijó, Sena Madureira e Brasiléia.
 
Outubro de 2007 – O Campus é inaugurado.

 

 

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DISCURSO DO DEPUTADO HENRIQUE AFONSO NO PLENÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS EM 04/12/2004

(Por ocasião da inclusão do Projeto Universidade da Floresta no plano de expansão do Ministério da Educação )

 


Senhor Presidente,


Para darmos uma contribuição significativa ao país e apoiarmos o Ministério da Educação do Governo Lula na Expansão do Ensino Público, Gratuito e de Qualidade nós estamos iniciando no Acre um grande esforço para a construção de um novo conceito de Universidade. Essa proposta foi batizada de Universidade da Floresta e representa a resposta para uma demanda histórica dos povos que habitam o Alto Juruá, o lugar que tem a maior biodiversidade do planeta e também uma diversidade social muito grande: além dos nossos seringueiros, ribeirinhos e populações urbanas nós temos grupos indígenas como os Ashaninka, Kaxinawa, Jaminawa, Arara, Katukina, Poyanawa, Nukini, Nawa e possivelmente outras.


Vocês podem estar se perguntando: qual seria o diferencial dessa nova universidade para que se possa dizer que ela é um novo conceito de Universidade? O diferencial é que o ensino e a pesquisa serão interiorizados, isto é, serão feitos em diferentes municípios, e tanto nas cidades como na floresta. E a principal diferença é que acadêmicos, seringueiros e indígenas estão participando desse projeto em pé de igualdade, senhor presidente.


Nossa Universidade da Floresta atuará energicamente na proteção dos conhecimentos tradicionais de populações indígenas e comunidades locais para que elas se beneficiem das riquezas da biodiversidade, conforme está previsto na Convenção da Biodiversidade da qual o Brasil é signatário. Para isso o ensino de graduação da UFAC Floresta será integrado às atividades de pesquisa de ponta do Instituto da Biodiversidade e aos cursos de capacitação técnica do Centro de Formação e Tecnologias da Floresta.


A Universidade da Floresta terá três componentes institucionais. O campus da Universidade Federal do Acre em Cruzeiro do Sul, rebatizado de campus UFAC Floresta, será expandido com a criação de 07 novos cursos até 2008, além dos três que serão criados para o vestibular 2006. No nível de pós-graduação e pesquisa teremos a consolidação de um núcleo inter-institucional que está sendo chamado de Instituto da Biodiversidade e do Manejo Sustentável dos Recursos Naturais. E a grande novidade: um Centro de Formação da Floresta, com base na experiência dos Centros Vocacionais Tecnológicos, incorporados recentemente na política do Ministério da Ciência e Tecnologia.


Estamos construindo e apresentando este projeto da Universidade da Floresta, senhor presidente, graças aos esforços de nossa bancada federal, do Governo da Floresta, do Ministério da Ciência e Tecnologia, do Ministério da Educação, do Ministério do Meio Ambiente, da Universidade Federal do Acre e de contribuições de outras instituições de ensino e pesquisa como, Universidade de Brasília, Universidade Federal de Viçosa, Universidade Estadual de Campinas, Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas, Museu Goeldi e o Centro de Pesquisa Woods Hole.
Muito Obrigado.”

 

 

Clique aqui e veja foto do Deputado durante o discurso na Tribuna


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GRUPO DE TRABALHO INTERMINISTERIAL
Um espaço para a construção de Políticas públicas
 

Com a publicação da Portaria Interministerial 132 de 17/05/2005 instituiu-se oficialmente um fórum consultivo e deliberativo para encaminhar ações relacionadas à implantação do projeto Universidade da Floresta junto ao Governo Federal. Muito mais que um espaço burocrático, o Grupo de Trabalho Interministerial revelou-se sobretudo como uma instância para estabelecimento de consensos entre os diversos atores sociais envolvidos. Foi o que aconteceu na reunião realizada em junho de 2005 em Rio Branco, oportunidade na qual foram apresentados propostas curriculares para os novos cursos de graduação, realizados extensos debates e esclarecimentos e revisada a minuta de regimento do Instituto da Biodiversidade e encaminhamento do documento para avaliação pelo Conselho Universitário da UFAC. O GTI foi coordenado pelo Prof. Paulo Kageyama (MMA) e co-coordenado pelos Professores Avílio Franco (MCT) e Manuel Palácios (MEC). Relatórios, transcrições e outros arquivos podem ser acessados através do site

 

Clique aqui e veja matéria sobre Grupo Interministerial

 

Clique aqui e veja fotos do Grupo Interministerial

 

Clique e leia relatório do Grupo Ministerial (arquivo em pdf)

 

 

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UNIFLORA - UM MODELO DE ENSINO PARA INTEGRAR PRÁTICAS CIENTÍFICAS E TRADICIONAIS


A ampliação e interiorização da Universidade Federal do Acre por meio do seu campus Floresta, combinada com a criação de novos programas de pesquisa (Instituto da Biodiversidade) e um centro de ensino profissionalizante (CEFLORA) representa uma resposta às demandas apresentadas pelo sociedade civil do Alto Juruá desde 2003.

 

A diretriz pedagógica do novo campus UFAC Floresta será o oferecimento de uma sólida formação científica, sempre procurando colocar o aluno em contato com a realidade social através de atividades integradas ao ensino médio e profissionalizante e à pesquisa, especialmente aquelas dizem respeito ao manejo dos recursos naturais e ao desenvolvimento de tecnologias apropriadas e à segurança alimentar e ambiental. As atividades de ensino também terão como referência a proteção dos conhecimentos tradicionais de populações indígenas e de comunidades locais, sobretudo aqueles associados ao patrimônio genético e seus derivados, e respeitando ainda os processos tradicionais de produção e difusão desses conhecimentos.

 

 

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A EXPANSÃO DO CAMPUS DE CRUZEIRO DO SUL

 

No ano de 2005, com a incorporação do projeto Universidade da Floresta no plano de expansão do Ministério da Educação, por determinação do então Ministro Tarso Genro, foi autorizada a contratação imediata de 81 doutores para os campi da UFAC. Desse total 50 vagas para docentes foram abertas em diversos cursos na sede da Universidade em Rio Branco e 31 vagas foram destinadas para viabilizar a fundação dos novos Centros de Ciências Biológicas, Engenharia Florestal e Enfermagem em Cruzeiro do Sul.

Segundo a Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação, estão previstas contratações de cerca de mais 100 docentes para o campus UFAC Floresta até o ano de 2008. As novas contratações têm como objetivo dar continuidade à expansão dos Centros de Ciências Biológicas, Engenharia Florestal e Enfermagem. Esse plano ainda prevê a criação de 7 novos cursos de graduação até o ano de 2008.

A figura abaixo mostra uma previsão do número de alunos que estarão cursando a UFAC em Cruzeiro do Sul nos próximos seis anos, considerandonão somente as vagas que foram criadas a partir de 2005 (Engenharia Florestal, Biologia e Enfermagem)mas também contabilizando as vagas que o Ministério da Educação criará até 2008

 

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Aumento do número de vagas no campus UFAC Floresta em decorrência da inclusão do projeto Universidade da Floresta no plano de expansão do MEC. Dados conforme informações da Secretaria de Ensino Superior – Ministério da Educação.

 

Clique aqui e veja fotos da construção do campus


Clique e veja foto do lançamento do curso de jornalismo


Clique e veja fotos dos alunos do curso de engenharia florestal em atividades em área livre.

 

 

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INSTITUTO DE BIODIVERSIDADE E DO MANEJO SUSTENTÁVEL DOS RECURSOS NATURAIS

Consolidação de uma história de Pesquisa Participativa no Alto Juruá

 

 O Alto Juruá é detentor de uma das maiores biodiversidades regionais do mundo. As florestas da região apresentam riqueza máxima de espécies de primatas, aves, borboletas e anuros, citando apenas os grupos mais investigados pelos biólogos. Embora os trabalhos realizados no Alto Juruá pela UFAC e outras instituições como a UNICAMP e o Jardim Botânico de Nova Iorque já tenham sido suficientes para indicar a extrema riqueza da biota nativa do extremo Ocidente brasileiro, o número de espécies que permanecem desconhecidas é muito grande. Segundo o pesquisador Moisés Barbosa de Souza (UFAC) e colaboradores, considerando a diversidade de espécies e habitats existentes no Estado os dados conhecido hoje sobre a biota acreana podem ser considerados pouco representativos.

 

Buscando aumentar o conhecimento sobre a biodiversidade da região do Alto Juruá e, ao mesmo tempo, agindo no sentido de consolidar as experiências de pesquisa participativa em andamento na região do Alto Juruá desde pelo menos a década de 1980,  a comunidade acadêmica e os representantes comunitários – articulados em torno desse objetivo desde o Seminário de 2003 – propuseram a criação de um núcleo de pesquisa inter-institucional capitaneado pela Universidade Federal do Acre e com participação efetiva de diversas instituições parceiras.

 

 

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MISSÃO DO INSTITUTO

 

Gerar ciência e tecnologia para que a sociedade possa decidir sobre seu futuro, constituindo um novo modelo de relações entre o setor acadêmico, as comunidades locais e o desenvolvimento regional, com os princípios de fomentar a interação entre a pesquisa científica e os conhecimentos locais, estimular a inclusão científica e apoiar a conservação e valorização cultural e econômica da biodiversidade e dos saberes a ela associados, portanto desenvolvendo ações estratégicas para:


1. Consolidar um modelo participativo e justo de política científica para o sudoeste amazônico.


2. Estabelecer um pólo de pesquisa regional, atraindo a comunidade científica nacional e internacional.


3.Integrar as comunidades locais ao processo de produção do conhecimento, reconhecendo e protegendo seus direitos intelectuais.

4. Apoiar os sistemas tradicionais de geração do conhecimento.

5. Promover o desenvolvimento de produtos florestais e de arranjos produtivos locais, melhorando a qualidade de vida.

6. Fortalecer a formação básica de graduação e pós-graduação

7.
Estruturar uma rede de pesquisa na floresta com atividades em associação com indígenas, seringueiros e agricultores.

8. Apoiar a soberania nacional sobre o patrimônio biológico e sobre o patrimônio material e imaterial das populações regionais, conforme a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB).

 

 

Clique aqui e veja apresentação em slides sobre proposta do Instituto:

 

Proposta 1

 

Proposta 2

 

 

 

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CEFLORA - CENTRO DE FORMAÇÃO E TECNOLOGIA DA FLORESTA

 

O Centro de Formação e Tecnologia da Floresta, o CEFLORA é unidade integrante da rede de Educação Profissional do Estado do Acre. Essa rede atua qualificando para o trabalho e difundindo idéias e experiências que buscam a inclusão tecnológica das comunidades locais. A missão do CEFLORA é convergente com a política estadual de Desenvolvimento Sustentável do Acre, pois o Centro busca sobretudo incentivar a produção agro-extrativista local através da valorização de produtos regionais.

 

A Secretaria de Produção Familiar –SEPROF– recentemente mapeou as demandas do mercado e a capacidade de produção das comunidades do Juruá para direcionar os investimentos que agora estão sendo alocados para a construção de 290 casas de farinha de mandioca, cinco agroindústrias de polpa de frutas, dez produtoras de açúcar gramixó (mascavo), além de usinas de processamento de leite em cada um dos cinco municípios do Alto Juruá. Há também grande potencial de uso do buriti e do murmuru, dentre outros produtos não madeireiros, exigindo a formação imediata de profissionais que dominem métodos de manejo, beneficiamento e comercialização de produtos regionais.

 

 

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UM ELO DE LIGAÇÃO ENTRE OS SABERES CIENTÍFICOS E OS SABERES DAS POPULAÇÕES DA FLORESTA (sic)

 

O CEFLORA será um espaço de experimentação de modos alternativos de ensino e popularização da ciência, além de responder à demanda urgente de produção de material didático sistematizando os conhecimentos tradicionais sobre funcionamento e uso da natureza, sobre o potencial ecoturístico da região e sobre a produção e manejo de produtos agroextrativistas regionais.

 

Clique aqui e veja fotos de atividades do CEFLORA

 

 

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O CEFLORA COMO INTEGRAÇÃO, ENSINO, PESQUISA E
DIFUSÃO

 

O CEFLORA aparece, portanto, como oportunidade para construção de uma rede de ensino intimamente associada à  pesquisa e planejamento ecológico-econômico em níveis local e regional, com a participação de segmentos urbanos, ribeirinhos, seringueiros, agricultores e etnias indígenas. Esta rede de ensino atuará necessariamente em associação com as organizações populares que têm potencial de atuar como centros multiplicadores locais de políticas planejadas coletivamente. Através da articulação entre ensino técnico-profissionalizante, os cursos de graduação do campus UFAC Floresta e o Instituto de Biodiversidade, será possível integrar a pesquisa e a difusão de conhecimentos, desenvolvendo eixos de integração entre o ensino profissionalizante, o ensino superior e a pós-graduação/pesquisa.

 

 

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ESTRUTURA FÍSICA E AMBIENTES DO CEFLORA

 

O Governo do Estado do Acre, como contrapartida ao investimento do MCT, é responsável pela seleção, alocação, adequação e manutenção do espaço físico para a instalação da base operacional, bem como se constituirá no principal gestor do CEFLORA. Na primeira etapa, correspondendo ao ano de 2006, a estrutura física principal será um prédio do Governo do Estado na instalado em Cruzeiro do Sul.
 
A estrutura de ensino implementada para as atividades do CEFLORA no Alto Juruá tem ambientes integrados que incluem laboratórios, oficinas, salas de aulas e também ambientes itinerantes, além de espaços informais de educação em localidades diferentes, com objetivo de atender as particularidades da região:

Unidade Cruzeiro do Sul – Estrutura física e de equipamentos maior que as demais, possibilitando cursos de longa duração. Essa unidade atuará articulada a outros espaços na área urbana, como escolas de ensino fundamental e médio, com o Campus da UFAC, Instituto da Biodiversidade e o Centro de Formação dos Trabalhadores Rurais.

• 2 ambientes Administrativos (com infra-estrutura)
• Laboratório de Informática e Internet
• Laboratório de Física
• Laboratório de Química
• Laboratório de Biologia
• Laboratório de Produtos Florestais
• Laboratório de Tecnologia de Alimentos (Cozinha Experimental)
• Laboratório de Florestania (Sala para cursos diversos)
• Sala de Multimídia e Comunicação
• Biblioteca Multimídia
• Oficina Multiprofissional (madeira: entalhe e mobiliário artesanal e eletromecânica)

 

Unidades na Floresta – estruturas físicas menores situadas em localidades estratégicas, em alguns casos integradas com estrutura física de pesquisa:
o Rio Crôa/Lagoinha
o Área Indígena Apiwutxa/Ashaninka do Rio Amônia
o Reserva Extrativista do Alto Juruá
o Parque Nacional da Serra do Divisor
o Projetos de Assentamentos

Unidades Itinerantes – Barcos que comportem estrutura e equipamentos suficientes para oferecer cursos básicos nas localidades onde o acesso é estritamente fluvial, e onde não há alguma unidade de capacitação.

 

 

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CEFLORA - CURSOS

 

Para o ano de 2006 o CEFLORA tem como metas oferecer à comunidade do Alto Juruá:


- Dois cursos de Iniciação Profissional
- Dois cursos de Iniciação Científica
- Um curso de Qualidade no atendimento ao Cliente
- Um curso de Coleta e Beneficiamento de Sementes
- Um curso de Ecoturismo realizado
- Cinco cursos proferidos por Mestres da Floresta (cidadãos de notório saber indicados pela comunidade)


Como unidade de formação profissional básica e de prestação de serviços integrada à cultura da região, a capacidade do CEFLORA de alcançar sucesso como via bidirecional de intercâmbio educacional depende largamente da interação inicial com as comunidades. Assim, o CEFLORA desenvolverá cursos de acordo com demandas já identificadas por experiências de extensão anteriores, de acordo com o levantamento de demandas realizado pelas diferentes secretarias estaduais e outros órgãos governamentais e também segundo as lacunas identificadas nos fóruns de discussão junto às comunidades locais.

 

Os cursos que serão realizados caracterizarão o CEFLORA como ambiente acessível a pessoas com todos os níveis de conhecimento, formal e informal. Desenvolver cursos voltados a grupos muito restritos ou que exijam um elevado nível de escolaridade poderia representar um marco inicial de exclusão ou inacessibilidade da população ao CEFLORA. Em função disso, outros cursos podem passar a ser oferecidos a partir de solicitação da comunidade ou verificação de demanda.

 

Com relação às comunidades urbanas, serão priorizados cursos de iniciação profissional, visando trazer os jovens ao convívio com o ambiente, fazendo do momento um estímulo às vocações e uma introdução à filosofia das ciências. Cursos básicos, voltados à complementação do perfil de pessoas atuantes no setor terciário também representam possibilidades de formação de vínculo com a comunidade.
Com relação aos povos da floresta, cursos relacionados com a técnica de coleta e beneficiamento de sementes, com a produção de mudas para comércio, com a produção de gás a partir de biodigestores e com a compostagem na horta doméstica representarão ações de aproximação à comunidade.

 

Todas as atividades serão encerradas com a elaboração de registro na forma de relatórios, material didático, fotos, vídeos, que seja de uso posterior para a comunidade local, dando ênfase na produção de material de material pelos parceiros da comunidade.

 

Clique aqui e veja apresentação em slides sobre o CEFLORA


Clique aqui e veja fotos da primeira turma indígenas do CEFLORA


Acesse o site do CEFLORA:

 

 

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INAUGURAÇÃO DA UNIVERSIDADE DA FLORESTA

 

Convite de inauguração

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 AGRADECIMENTOS A TODOS QUE AJUDARAM A TRANSFORMA A UNIFLORA EM UMA REALIDADE

 

O Deputado Henrique Afonso emocionado fez questão de registrar agradecimentos a todos os cientistas, educadores, técnicos dos Ministérios, autoridades acreanas, estudantes e representantes das comunidades do Alto Juruá que contribuíram para que a UNIFLORA fosse uma realidade.

 

Leia na íntegra a carta de agradecimento que foi enviada.

 

                        Brasília, outubro de 2007

 

 

UM SONHO!
UMA REALIDADE!
UMA CONQUISTA!

 

 

No dia 09 de outubro, será inaugurado, em Cruzeiro do Sul/Acre, o Campus da Universidade da Floresta. Neste momento tão especial, não poderíamos deixar de celebrar esta conquista com o(a) Nobre Companheiro(a) que acreditou neste Projeto e nos ajudou para que o sonho se transformasse em realidade.

 

Reconhecemos a importância de sua participação em toda a caminhada, e por isso o Povo do Juruá  partilha essa vitória com Vossa Senhoria que não mediu esforços para atender nossos pedidos, pleitos e reivindicações, e assim nos ajudou a transformar uma “utopia” em algo não só possível, mas que definitivamente se concretizou em um dos mais belos campus universitários do Brasil.

 

Muitos talvez nunca saberão os nomes de todos que estiveram envolvidos na construção deste sonho, mas tenho a certeza que as futuras gerações serão eternamente gratas aos cientistas, educadores, parlamentares,  pesquisadores e membros das diversas instituições que colaboraram, mesmo de forma anônima, para que a Universidade da Floresta se transformasse numa bela e necessária realidade.

 

Assim, quando a placa daquele Campus for descerrada, estaremos lá, lembrando de cada um que de alguma forma ajudou para que esse momento chegasse. Este deputado fará questão de registrar, em nome de todos os estudantes da Floresta de hoje e de amanhã, as merecidas homenagens a quem investiu seu tempo, seu conhecimento e uma parte de sua vida para que déssemos início a uma nova história na área do ensino e da pesquisa no estado do Acre e na Região Norte do Brasil.

 

Saiba que sua parceria e que seu despreendimento levou este parlamentar e todos os moradores da região do Juruá a ter por Vossa Senhoria um sentimento de admiração, respeito e gratidão.

 

Nossa Conquista só foi possível porque nos ajudou. Obrigado!

 

Deputado Henrique Afonso
PT/AC

 

 

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ENTREVISTA DO DEPUTADO HENRIQUE AFONSO SOBRE A UNIFLORA

 

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Jornal Página 20, 19/02/06)

 

Grande concorrência por vagas comprova que população há muito esperava por essa conquista.


A realização, hoje e amanhã, do vestibular da Universidade Federal do Acre em Cruzeiro do Sul é a materialização do tão sonhado projeto da Universidade da Floresta.

 

Cerca de 3 mil estudantes se inscreveram para concorrer às vagas oferecidas nos cursos que já existiam - Pedagogia e Letras - e às 145 vagas dos novos cursos de Enfermagem, Biologia e Engenharia Florestal. A grande concorrência por vagas comprova que a população do Juruá, principalmente a juventude, estava há anos com expectativa dessa conquista.

 

Nos dias 20 a 23 deste mês, estarão acontecendo em Cruzeiro do Sul um fórum da sociedade civil e um novo encontro do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) para debater e encaminhar sobre novos cursos e próximos passos para a Universidade da Floresta. De acordo com o MEC e a Ufac, em julho poderão ser criados mais dois cursos de graduação e será definido concurso com dez novas vagas para professores.

 

Luta começou há três anos. No mês de março o presidente Lula poderá vir ao Acre mais uma vez, desta feita para inaugurar a Universidade da Floresta. Surgida do anseio popular, externado por variados segmentos, a Universidade da floresta surgiu como proposta durante o seminário “A Universidade do Século XXI na Floresta do Alto Juruá”, em outubro de 2003, em Cruzeiro do Sul. O evento teve a participação de cerca de 80 instituições como universidades, institutos de pesquisa, ongs, movimentos sociais, parlamentares e técnicos dos governos estadual e federal.

 

O projeto foi abraçado pelos ministérios da Educação, do Meio Ambiente e o da Ciência e Tecnologia. Em maio de 2005 foi constituído um Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) para articular ações dos governos federal, estadual e municipal, elaborar diretrizes e estruturar a instituição.

 

Na Unifloresta os alunos atuarão em projetos de ensino e pesquisa no instituto da Biodiversidade (IBD) e no Centro de Formação e Tecnologia da Floresta (Ceflora), dois componentes institucionais da instituição. Até 2008, a Universidade da Floresta deverá contar com outros sete cursos, ainda a serem definidos e um quadro de 130 docentes e 1,2 mil alunos.

 

O professor e deputado federal Henrique Afonso avalia como fundamental a inclusão dos movimentos sociais na implantação da Universidade da Floresta e naquilo que advirá dela que é a produção de conhecimento. Além de se valorizar as diversas formas de conhecimento tradicional e a partir do estudo científico deles produzir novos conceitos e soluções para o desenvolvimento da região de floresta, o que se pretende também é possibilitar o livre acesso à informação técnica científica e aos principais debates técnicos contemporâneos.

 

Com muita luta, a Universidade da Floresta, que tem três componentes, Ceflora, Instituto de Biodiversidade e Campus Ufac-Floresta, já obteve muitas conquistas: R$ 9,5 milhões de investimento garantidos até 2008; Início dos cursos do Ceflora no final de 2005; Pavimentação, eletrificação, telefonia e reforma novo Campus; Três novos cursos no primeiro semestre de 2006; Vestibular neste mês de fevereiro; Até 2008, a Ufac – Floresta irá atender 1.600 alunos em 12 cursos; Nove projetos de pesquisa sobre biodiversidade como, coleções biológicas, monitoramento ambiental e manejo de sementes, iniciam em 2006.

 

Cursos pofissionalizantes em várias áreas. O Ceflora é um dos integrantes da Universidade da Floresta e começou a funcionar em novembro de 2005, com cursos profissionalizantes para jovens. Quando todos os laboratórios estiverem montados, serão ministrados cursos nas áreas de eletroeletrônica, eletromecânica, tecnologia alimentar, extração de óleos vegetais, saúde, dentre outros. Os laboratórios de física, química e biologia darão suporte para professores e alunos das escolas de ensino fundamental e médio. O deputado Henrique Afonso conseguiu R$ 650 mil junto ao Ministério de Ciência e Tecnologia para viabilizar os primeiros passos.

 

A obra de ampliação e reforma do Campus UFAC-Floresta no Canela Fina iniciou ainda em dezembro de 2005. O MEC disponibilizou R$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais) para obras, mobiliário e equipamentos. A parceria entre Governo do Estado, Ufac/MEC, Eletroacre e Brasil Telecom, garantiu o asfaltamento da via de acesso à UFAC-Floresta (Canela Fina), a eletrificação e telefonia do novo Campus.

 

O Instituto da Biodiversidade iniciará a partir fevereiro, com nove projetos de pesquisa, graças à emenda de R$ 560 mil reais que o deputado Henrique Afonso colocou no orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia e que já foi repassado para a Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre – Fundape/Ufac.

 

No Instituto da Biodiversidade, os pesquisadores atuarão junto com as comunidades, com professores e alunos do Campus Ufac-Floresta e do Ceflora. Será importante para maior conhecimento da biodiversidade local e para que os conhecimentos que os indígenas e não-indígenas têm sobre a floresta, os animais, as suas culturas sejam respeitadas e valorizadas.

Entrevista – Deputado Henrique Afonso

 

Para onde vai a Universidade da Floresta?


O senhor considera que a promessa de ajudar a trazer a “Universidade do Século XXI” para a Floresta do Alto Juruá foi cumprida?

 

Henrique Afonso - Totalmente cumprida. Graças ao apoio do Governo do Acre e do Governo Federal a implantação do projeto Universidade da Floresta foi concluída com grande sucesso, quero dizer que a situação hoje está melhor até do que eu mesmo esperava. A prova disso é que já temos neste ano de 2006 três novos cursos no campus Ufac Floresta em Cruzeiro do Sul: Biologia, Engenharia Florestal e Enfermagem. Isso significa que jovens mestres e doutores formados pelas melhores universidades do Brasil já estão trabalhando no Alto Juruá. Mais algumas dezenas de professores, cerca de 70, serão contratados nos próximos dois anos. As boas notícias não param por aí: até o final deste ano haverá uma consulta popular para definir o perfil de mais sete novos cursos que serão criados em 2007 e 2008. Isso significa que até 2010 nós teremos no campus Floresta da Universidade Federal do Acre 130 professores e mais ou menos 1.200 alunos. O número de vagas vai quadruplicar em quatro anos. E, melhor ainda, esses alunos terão oportunidade de uma formação acadêmica de muita qualidade porque poderão estagiar em projetos de pesquisa do Instituto da Biodiversidade, com orientação de pesquisadores da Ufac, da Unicamp, da Embrapa, da UnB, da UFV e de outras instituições que estão se associando. Aqueles que desejarem uma formação mais voltada para a área de educação também terão uma ótima escola porque está previsto que os alunos de licenciatura participação de atividades de ensino profissionalizante no Centro de Formação e Tecnologia da Floresta, o Ceflora.

 

Parece existir uma confusão sobre o que é a Universidade da Floresta. Afinal, trata-se ou não de uma nova universidade?

 

Henrique Afonso – Essa confusão que você nota aí acontece porque o que nós chamamos de “Universidade da Floresta” é, do ponto de vista do Ministério da Educação, a expansão da Universidade Federal do Acre em associação com uma rede, ou rizoma, de outros projetos e instituições. É claro que a Universidade Federal do Acre é um ator-chave no Acre, mas além do campus Ufac Floresta, existem outros dois grandes conectores nesse rizoma da Universidade da Floresta: um deles é o Instituto da Biodiversidade, o outro é o Ceflora, que abrem espaço para formas criativas de participação das populações locais. Precisamos entender que a ‘Universidade da Floresta’ é a realização de um novo conceito de universidade, uma tentativa de gerar novas formas de interação entre organizações da sociedade civil, Academia e Estado. Esse conceito começou a realizar-se quando a ministra Marina Silva garantiu a instituição do grupo de trabalho interministerial como um espaço consultivo e deliberativo do governo federal. O GTI conta com uma representação bastante significativa de organizações da sociedade civil, inclusive com direito a voto. Dessa maneira foi criado um canal formal para o fortalecimento de projetos colaborativos desenvolvidos há muitos anos por instituições da sociedade, como o Conselho Nacional dos Seringueiros, a Comissão Pró-Índio do Acre e instituições de pesquisa. O GTI, que ainda vigora até junho, está definindo um conjunto de políticas públicas estruturantes que irão garantir a ampliação e integração dos três componentes da Universidade da Floresta. Para concluir a resposta: não é uma nova universidade no sentido institucional, pois trata-se de uma rede de instituições e organizações já existentes, mas conceitualmente nós queremos que seja uma nova universidade e assim será.

 

Como a Universidade pode ajudar a trazer mais desenvolvimento para o Alto Juruá?

 

Henrique Afonso - A Universidade da Floresta baseia-se no pressuposto de equivalência entre os conhecimentos tradicionais e científicos. Tanto o projeto pedagógico do campus Ufac Floresta como os objetivos do Instituto da Biodiversidade são convergentes com uma política de inclusão científica a partir da participação popular em projetos de ensino e pesquisa, principalmente através do Ceflora e do Instituto da Biodiversidade. Temos que tratar a biodiversidade como questão de Estado. Para isso não basta criarmos políticas científicas que incentivem as instituições de pesquisa a registrarem patentes. Precisamos estabelecer nossos próprios paradigmas: ao garantir a inclusão dos movimentos sociais no processo de produção de conhecimento não somente encontraremos novos conceitos e soluções para o Desenvolvimento, mas iniciaremos a única revolução que de fato podemos implantar em favor da cidadania – o livre acesso à informação técnico-científica e aos principais debates teóricos contemporâneos. Não existe nenhuma fórmula dada para o desenvolvimento, mesmo porque dificilmente as pessoas concordarão sobre o que é “desenvolvimento”. Mas todos têm a noção de que precisamos de avanços no sentido de incluir os produtos da floresta na economia globalizada, que precisamos capitalizar sem diminuir a diversidade, que é nossa principal marca. Esse é o grande desafio para a região do Alto Juruá e, portanto, para a Universidade da Floresta.


Fórum da sociedade civil e reunião do GTI


Nos dias 20 a 23 de fevereiro estará acontecendo em Cruzeiro do Sul um fórum da sociedade civil e um novo encontro do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) para debater e encaminhar sobre novos cursos e próximos passos para a Universidade da Floresta.


Dia 20/02 – Local: Teatro Náuas – Cruzeiro do Sul / AC. 19h - Abertura do Fórum da Sociedade Civil com representantes de seringueiros, ribeirinhos, assentados, indígenas, servidores da educação na região do Alto Juruá, com as presenças da Ministra Marina Silva, Representantes do MEC e MCT, Governador Jorge Viana, Representante da Bancada Federal Deputado Henrique Afonso, Reitor da UFAC Jonas Filho, prefeitos do vale do Juruá e representante das instituições parceiras de ensino e pesquisa Mauro Almeida e demais Organizações. 21h – Lançamento livro: O Alto Juruá Acreano: história, povo e natureza - Henrique Afonso/Câmara dos Deputados – Organizador: Mauro Almeida/Unicamp seguida de apresentação cultural;


Dia 21/02 - Local: Centro Diocesano de Treinamento. 8h - Início dos trabalhos do Fórum da Sociedade Civil Apresentação dos participantes, da proposta de programação, da metodologia dos trabalhos e realização de acordo para o desenvolvimento dos mesmos; Apresentação dos resultados do III Encontro dos Povos da Floresta, realizado em Cruzeiro do Sul, em setembro de 2005; Apresentação das propostas curriculares para Campus UFAC-Floresta pela Reitoria da UFAC e professores; Apresentação das propostas para o Ceflora – Governo do Acre; Apresentação das propostas para o Instituto da Biodiversidade/IBd – Ufac, MCT e pesquisadores associados; Apresentação de síntese dos projetos apoiados pelo PPBio; Esclarecimentos para o desenvolvimento de atividades em grupos, com 15 participantes por grupo. Obs.: a definição dos temas e metodologia está sendo finalizada com os parceiros da sociedade civil no Juruá 12h às 14h – intervalo para almoço 14h - Discussões nos grupos - Elaboração de propostas da sociedade civil 17h - Apresentação do relato dos grupos; 18h30 – Encerramento dos trabalhos do dia; 20h – Espaço livre para intercâmbio de informações e atividades culturais.


Dia 22/02 8h - Discussões / debates sobre os relatos apresentados;
9h - Encaminhamentos para a elaboração/sistematização de documento final para ser apresentado na abertura da reunião do GTI; 14h - Consolidação do documento final do Fórum, que será apresentado no início dos trabalhos do GTI – Universidade da Floresta – 45’; 16h – Apresentação do Documento Final a ser encaminhado ao GTI – 60’; 11hs30 - Encerramento dos trabalhos do Fórum da Sociedade Civil.
12h às 14h – intervalo para almoço Reunião do GTI – Universidade da Floresta – Programação (CZS, 22 e 23 de fevereiro de 2006) Local: Centro Diocesano de Treinamento – CZS/AC.


Dia 22/02 14h - Abertura dos trabalhos do GTI da Universidade da Floresta;

Nivelamento das informações e acordo para o desenvolvimento dos trabalhos (MMA, MEC/Ufac, MCT/IBd e pesquisadores associados, Governo do Acre/Ceflora e representantes da sociedade); Apresentação das propostas do Fórum da Sociedade Civil (finalizado pela manhã deste dia, em CZS); Discussões e encaminhamentos;


Esclarecimentos e desenvolvimento de atividades / trabalhos em grupo (a proposta é de que todos os grupos discutam todos os temas); Proposta de formas diferenciadas de acesso aos cursos do Campus Ufac – Floresta, por parte das populações tradicionais e povos indígenas; Propostas de novos cursos para o Campus Ufac Floresta e Ceflora; Propostas para interação entre conhecimentos científicos e conhecimentos tradicionais: Campus UFAC Floresta x Instituto da Biodiversidade x Ceflora; 18h – encerramento dos trabalhos do dia; Noite – reservada para painéis: UnB (Prof. Mário) e DEA/MMA


Dia 23/02 8h –Apresentação dos Grupos; Discussões e encaminhamentos;
Construção/apresentação de propostas com respectivos desdobramentos;
10h - Apresentação da proposta de Regimento Interno do Instituto da Biodiversidade Pró-Reitoria de Pesquisa da Ufac; Discussões e aprovação do GTI da proposta de Regimento do IBd; 12h - Apresentação dos Projetos de Pesquisa PPBio/Ufac-MCT e pesquisadores associados; Discussões / esclarecimentos sobre os projetos de pesquisa;


14h - Encaminhamento/apresentação de propostas de deliberações para o GTI e de documento final da Reunião; 15h - Encerramento dos trabalhos da Reunião GTI-Universidade da Floresta.

 

 

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UNIVERSIDADE DA FLORESTA VAI REUNIR CIENTISTAS E PAJÉS

 

Data: 18/04/2005
Fonte: ISA- Instituto Socioambiental
Local: São Paulo - SP
Link: http://www.socioambiental.org/website/index.cfm

 

Em entrevista ao ISA, o antropólogo Mauro Almeida explica os objetivos do novo centro de ensino e pesquisa que começa a funcionar ainda este ano no Acre. Entre os principais: criar uma ponte entre os professores das cidades com os mestres da floresta para valorizar os saberes tradicionais e as alternativas para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, sem deixar de atentar para os mecanismos de proteção à biodiversidade da região e aos conhecimentos dos povos nativos.

 

Uma iniciativa pioneira está em curso no estado do Acre: a Universidade da Floresta (Uniflora) abre suas portas no segundo semestre deste ano na cidade de Cruzeiro do Sul - a mais ocidental do País - e pretende marcar o nascimento de um novo modelo para as pesquisas científicas sobre biodiversidade, com respeito à pluralidade cultural da região e aos direitos das comunidades indígenas, seringueiras e ribeirinhas. A Uniflora começa a funcionar com a abertura de 120 vagas nos cursos de graduação de biologia, farmácia e ecologia, com a fundação do Instituto da Biodiversidade e Manejo dos Recursos Naturais, em nível de pós-graduação, voltado à pesquisa, e com implantação do Centro de Formação e Tecnologia da Floresta, em caratér pré-universitário, que promoverá cursos e oficinas técnicos abertos à população com baixa escolaridade.

 

Entre as principais metas do novo centro de ensino e pesquisa estão o estímulo à utilização responsável e inteligente dos recursos naturais e a valorização dos conhecimentos tradicionais - a chamada "medicina da floresta". "A idéia é viabilizar tecnologias avançadas para o desenvolvimento da Amazônia com sustentabilidade, visando a inclusão social", afirma o professor Jonas Filho, reitor da Universidade Federal do Acre (Ufac), da qual a Uniflora será uma extensão no campo da graduação. A pedra fundamental do empreendimento foi lançada em março e os recursos estaduais e federais para a construção do campus já estão garantidos.

 

O projeto conta com a participação de dezenas de organizações sociais, de seringueiros, grupos indígenas da região e pesquisadores de várias universidades. Um deles, membro do Grupo de Trabalho responsável pela definição das diretrizes político-pedagógicas do novo centro de ensino, é o antropólogo acreano Mauro Almeida, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Almeida organizou com a também antropóloga Manuela Carneiro da Cunha a Enciclopédia da Floresta, talvez o mais completo compêndio sobre a cultura, hábitos e saberes das populações indígenas e comunidades de seringueiros da região do Alto Juruá, no mesma região acreana de Cruzeiro do Sul. "O espírito principal da Universidade da Floresta é o de incluir indígenas no processo de pesquisa e de ensino", afirma.

 

O antropólogo diz, em entrevista concedida ao ISA por e-mail desde Campinas, que o desafio da Uniflora é duplo: de um lado, levar os alunos para a floresta, acompanhados de cientistas urbanos e de pesquisadores da mata; do outro, trazer os moradores da floresta para a cidade, levando-os a laboratórios e salas de aula. Na entrevista, Mauro Almeida também fala da história do projeto, seus possíveis benefícios à região e como os marcos legais acerca de conhecimentos tradicionais e patrimônio genético servem de orientação para a implementação da Uniflora.

 

ISA - Como surgiu o projeto da Universidade da Floresta?


Mauro Almeida - A idéia surgiu simultaneamente de vários lugares. Na capital acreana há alguns anos discutia-se a criação de uma forma de ensino adequada à noção de "florestania", isto é, um modelo de ensino que capacitasse cidadãos para diagnosticar problemas da região e dar respostas criativas para eles, incluindo as populações indígenas, os seringueiros e os ribeirinhos. Por outro lado, a idéia de um pólo de ensino, pesquisa e extensão em Cruzeiro do Sul é uma antiga aspiração da população acreana da micro-região do Alto Juruá. Essas aspirações combinaram-se com a proposta de criar a "Universidade da Floresta".

 

O nome estava no ar, na cabeça de várias pessoas, e o embrião dessa forma de ensino e pesquisa includente já estava presente nas experiências de ensino indígena coordenadas sobretudo pela Comissão Pró-Índio do Acre, nas experiências de ensino de seringueiros realizadas pelo Centro de Trabalhadores Amazônicos, nas atividades de pesquisa do Parque Zoobotânico com seringueiros da Reserva Extrativista Chico Mendes, na região de Xapuri, e também com as experiências de pesquisa e monitoramento com seringueiros da Reserva Extrativista do Alto Juruá, em Marechal Thaumaturgo, com participação da Universidade de Viçosa, da Universidade de Brasília, da Unicamp e de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do Museu Goeldi, para não falar de instituições internacionais.

 

Essas aspirações e experiências começaram a tomar a forma de uma proposta específica em Cruzeiro do Sul, a partir de 2003, quando iniciaram-se uma série de encontros na cidade, em Rio Branco e em Brasília, articulados graças à iniciativa apaixonada do deputado federal Henrique Afonso, um professor que dedicou seu mandato a essa idéia. Reuniram-se em Cruzeiro do Sul dezenas de entidades e organizações populares, e de acadêmicos de várias partes do país, para discutir a proposta.


A idéia amadureceu, com todas essas contribuições, e evoluiu em direção à seguinte idéia: a Universidade da Floresta deveria apoiar-se num tripé formado por um pólo de formação universitária, por um centro de pesquisa avançada, e de pólos locais para incluir a população indígena e rural. Essa idéia representa um grande desafio: articular o ensino local com uma rede de pesquisa de ponta, e integrar a população local ao mesmo tempo!

 

Qual é a importância da criação deste pólo de ensino e pesquisa para a região do Vale do Juruá?


Olhando no mapa, vemos que Cruzeiro do Sul, a capital regional do Vale do Juruá, é a cidade mais ocidental do Brasil, a meio caminho de Rio Branco e do Pacífico. Está no centro de uma mancha caracterizada como de altíssima biodiversidade por especialistas, e é também um local de encontro de línguas e etnias indígenas - recebendo influências andinas e da planície amazônica que lhe dão uma fisionomia muito peculiar. Apesar dessa riqueza natural e social, e de seu papel estratégico na articulação do Brasil com Bolívia e Peru, está prestes a ser atingida por um fluxo rodoviário acelerado com a pavimentação da BR-264, e o investimento na educação e na pesquisa nem de longe é suficiente para preparar a população para aproveitar o potencial da região.

 

Qual o objetivo do curso de Biologia e Manejo de Recursos Naturais?


Quase metade dessa região tem seu território organizado como áreas protegidas: o Parque Nacional da Serra do Divisor, Terras Indígenas - reunindo populações dos troncos lingüísticos Pano e Aruak -, e Reservas Extrativistas. Isso é um indicativo de que o uso dos recursos naturais na região deve orientar-se para formas de baixo impacto, que tirem partido da riqueza biológica e cultural da região. O curso de Ecologia e Manejo dos Recursos Naturais é um dos cursos pensados para estimular a utilização responsável e inteligente dos recursos da natureza. Mas há outras direções já apontadas, como a da pesquisa da "medicina da floresta" e da valorização dos conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade regional.

 

Que benefícios a Uniflora deve levar às populações da região?


A Universidade da Floresta trará diferentes benefícios. Um deles será gerar profissionais cuja formação inclui a pesquisa de campo e a cooperação com as populações locais, com ênfase no uso da imaginação para buscar soluções novas ou para melhorar as soluções já conhecidas pelo povo da região. Outro benefício será a inclusão científica: trazer índios, seringueiros e camponeses para o âmbito da pesquisa e do ensino, tratando-os com respeito.

 

O curso de Manejo de Recursos Naturais vai trabalhar com os conhecimentos tradicionais das populações locais. Como será feita a ponte entre os dois sistemas de conhecimento?


Essa ponte está sendo realizada na prática há algum tempo e de várias maneiras. Como disse acima, o Acre foi sede de experiências variadas de articulação entre cientistas e pagés, entre professores da cidade e mestres da floresta. Esses sistemas podem conviver, dialogar, e exercer influência um sobre o outro, sem que suas diferenças sejam abolidas. A meu ver, uma condição para essa convivência é tratar seriamente os pesquisadores da floresta enquanto tais, com mecanismos como o reconhecimento do notório saber de povos da floresta, com funções reconhecidas de bolsistas e de pesquisadores, e a possibilidade de inclusão nos quadros docentes em situações que serão discutidas e amadurecidas.

 

Já existem seringueiros e índios que publicam artigos e capítulos de livros em colaboração, e em alguns casos com autoria exclusiva; que participam da pesquisa e da análise de resultados, dialogando com cientistas; que operam sites na internet e propõem projetos próprios de pesquisa. Devemos levar isso a sério e institucionalizar essas práticas.

 

A transmissão dos conhecimentos dos povos da floresta se dá fundamentalmente pela prática, pela experimentação. Como levar essa prática para a sala de aula, um espaço reservado à teoria?

 

É preciso lembrar que o conhecimento científico oficial se dá pela combinação entre teoria e experimentação; antes de ir para a sala de aula, ele é gerado na prática de campo ou de laboratório, e seus resultados são discutidos na comunidade científica pessoalmente, na internet, e em publicações escritas. Também o conhecimento dos povos da floresta comporta a experimentação prática, por um lado, e a reflexão teórica; a discussão com vizinhos com troca de sementes e tecnologias, bem como de idéias. Isso quer dizer que o conhecimento dos povos da floresta não é um produto acabado que apenas é transmitido passivamente: é um corpo que está sendo produzido sob nossos olhos, articulando à sua maneira prática e teoria. O desafio é, portanto, duplo: de um lado, levar os alunos para o campo (acompanhados de cientistas urbanos e de pesquisadores da mata, em projetos paralelos ou articulados), e trazer os moradores da floresta para a cidade (levando-os a laboratórios e a salas de aula). Trata-se de criar a cooperação científica no trabalho de campo, e na reflexão e elaboração de idéias.

 

Haverá a necessidade de autorização por parte do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (Cgen)para a construção dos conteúdos?

 

Acho que a Universidade da Floresta reúne condições excelentes para demonstrar que é possível harmonizar as metas da pesquisa científica com a biodiversidade e com a diversidade cultural e o respeito aos direitos intelectuais das comunidades indígenas, de seringueiros e de ribeirinhos. Nesse caso, estará amplamente satisfeita uma das exigências legais, que são acordos de cooperação e de repartição de benefícios com termos amplamente discutidos pelos interessados, e a participação direta dos interessados locais em todo o processo, que vai da pesquisa ao desenvolvimento. Nesse caso, seriam possíveis acordos "guarda-chuva" prevendo atividades de pesquisa de um programa inteiro, evitando a necessidade de autorizações pontuais para cada atividade.

 

Quais salvaguardas deverão ser criadas para que o conteúdo transmitido nas aulas seja utilizado de acordo com as condições previstas na Medida Provisória nº 2186?

 

A discussão de políticas pedagógicas da Uniflora está em andamento. Mas insisto em que o espírito principal da Universidade da Floresta não é o de transmitir conhecimentos indígenas para alunos no programa acadêmico, por exemplo, e sim incluir indígenas no processo de pesquisa e de ensino. A atividade de pesquisa deverá obedecer aos princípios, já inscritos na MP, de respeito aos direitos intelectuais de comunidades locais, bem como de repartição de benefícios da biodiversidade. Já a transmissão de conhecimentos como parte do currículo de salas de aula apoia-se, por exemplo, em materiais publicados e que se encontram no domínio público. Para dar um exemplo mais específico, a pesquisa sobre a diversidade de plantas cultivadas poderá levar à identificação de novos cultivares ou de propriedades novas de cultivares de mandioca, com potencial comercial; esse conhecimento deverá primeiro ser protegido antes de ser divulgado em forma de publicação e de material didático, e poderá não ser publicado na ausência de mecanismos de proteção adequados. O ensino deverá enfatizar esses princípios de ética científica.

 

A legislação pode engessar o desenvolvimento das aulas, já que não define exatamente quais atividades podem ser realizadas com autorização prévia das comunidades detentoras dos saberes?

 

Acho que não é esse o caso. Em boa parte, caberá aos próprios professores e pesquisadores indígenas conceber o conteúdo do material didático relevante. O uso de mitos indígenas no ensino, em publicações com direitos de autores reservados, começa a difundir-se como prática - valendo aqui os princípios de respeito à autoria. No caso de resultados originais da pesquisa indígena na área da medicina, vale o princípio utilizado pelos laboratórios: não são transmitidos ou colocados em domínio público resultados que não se encontrem protegidos sob forma de patentes.


Devemos também lembrar que, tanto no caso do conhecimento científico urbano como no caso dos conhecimentos da "ciência do concreto" (como a definiu Lévi-Strauss) é essencial a circulação da informação e a sua discussão. Assim, é preciso tomar cuidado para não engessar sob mecanismos de proteção rígido o conhecimento produzido na floresta a ponto de impedir a continuidade da pesquisa florestal feita por moradores da floresta! Trata-se de impedir a privatização comercial predatória desses conhecimentos - com a criação de patentes que se apoderem de conhecimentos e substâncias de maneira injusta -, mas ao mesmo tempo trata-se de não impedir o uso compartilhado desses conhecimentos pelas comunidades tradicionais.

 

A publicação Enciclopédia da Floresta foi deliberadamente autocensurada porque vocês estavam preocupados com a utilização indevida dos conhecimentos tradicionais. Isso pode ocorrer também com os cursos da Uniflora?

 

Sim, naturalmente. Um exemplo já citado é o caso dos conhecimentos sobre variedades novas de plantas cultivadas. No caso de resultados novos da pesquisa, de elevado potencial econômico em alguns casos, é essencial proteger esses resultados, em vez de colocá-los no domínio público. Trata-se de bom senso.

 

Como será feita a repartição de benefícios para as comunidades donas dos conhecimentos transmitidos em aula?

 

Esse ponto é previsto em parte pela legislação em vigor, isto é, pela Medida Provisória. De qualquer modo, conforme afirmei antes, o eixo da discussão não são conhecimentos transmitidos em sala de aula, que deveriam ser aqueles que estão no domínio público, e sim na vocação de pesquisa e de desenvolvimento que é parte essencial do espírito da Universidade da Floresta, compreendendo a formação graduada, a pesquisa avançada e as escolas-laboratórios da floresta.

 

 

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A PERSPECTIVA DE QUEM  CHEGA
Dos pampas aos seringais

 

O biólogo gaúcho Marcos Vinicius Athaydes Liesenfield já foi professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas mudou-se de Porto Alegre para Cruzeiro do Sul depois que passar no concurso da UFAC - Universidade da Floresta. Nesta entrevista ele expõe os motivos que o trouxeram para o Acre e nos oferece uma visão diferenciada sobre o processo de implantação da Universidade da Floresta.


Pergunta - O que motivou-o a participar desse novo projeto, mudando de um lugar tão distante como o Rio Grande do Sul para o interior do Acre?

 

Prof. Marcus - O que me motivou a trabalhar nesse novo projeto foi meu envolvimento pessoal com o movimento ambientalista brasileiro, que tem raízes muito fortes aqui no Acre. Muito cedo, estudando a história do movimento ambientalista nacional, descobri que além das lutas protagonizadas pelos gaúchos José Lutzemberger, Henrique Roesller e outros havia a importante luta dos ambientalistas acreanos, que antes de saberem que eram ecologistas/ ambientalistas, se colocavam na vanguarda da história, lutando por aquilo que mais importava (e ainda importa) para eles: a floresta em pé. Foi este histórico, personificado na figura do Chico Mendes, da Marina Silva, que me motivou a vir pela primeira vez ao Acre, por conta própria, em 2000. Nesta oportunidade, conheci o Nilson Mendes, primo do Chico Mendes, grande figura e liderança local. Conheci o trabalho de exploração sustentável da floresta e pensei comigo: “ é isso que eu quero, é aqui que quero viver e desenvolver meu trabalho, junto a deste povo maravilhoso e desta floresta deslumbrante.”

 

Pergunta - O pressuposto central do projeto Universidade da Floresta é o reconhecimento e valorização do conhecimento e dos modos de produção tradicionais e a amplificação e repartição justa dos benefícios deles oriundos. Nesse contexto a elaboração do Projeto Político-Pedagógico do campus Floresta orientará práticas de ensino que estimulem a inserção do aluno em atividades de pesquisa (Instituto da Biodiversidade) e extensão (por exemplo estágio didático em cursos de capacitação técnica no CEFLORA). Como você imagina essa articulação entre a prática de ensino e os objetivos gerais do projeto Universidade da Floresta?

Prof. Marcus - A elaboração de projetos político-pedagógicos direcionados para uma verdadeira articulação entre os objetivos gerais do projeto da Universidade da Floresta e o ensino dos cursos irá depender muito da vontade e da disposição particular de cada professor desta Universidade. Será a partir da elaboração dos conteúdos programáticos das disciplinas que poderemos vislumbrar por onde caminharemos no sentido de entender, apoiar e fazer valer o reconhecimento do conhecimento tradicional. Nossa forma de articulação entre o objetivo inicial do projeto e a nossa pratica de ensino será no sentido de, primeiro, trabalhar a formação cientifica qualificada dos alunos, inseri-los no modo de pensar acadêmico, prepará-los de todas as formas para o mercado de trabalho, mas sobretudo, prepará-los a viver na floresta e a viver a partir da floresta, mas mantendo essa floresta em pé. Vamos prepará-los a aceitar e a compreender a diversidade cultural e biológica que os rodeia, e a defender e utilizar de maneira coerente esta diversidade.

 

Pergunta -A proposta de regimento do Instituto da Biodiversidade prevê a criação de um centro inter-institucional de pesquisa apoiado pelo MCT em Cruzeiro do Sul. Qual é a expectativa dos novos e antigos professores do campus de Cruzeiro do Sul perante o início desses novos projetos de pesquisa?

 

Prof. Marcus – Na verdade ainda estamos nos ambientando e reconhecendo as possibilidades e caminhos possíveis. Portanto ainda não vislumbramos totalmente as possibilidades imediatas ou futuras dos convênios ou parcerias. Mas reconheço que essa região é muito privilegiada no quesito apoio institucional, algo realmente excepcional. Por isso é que eu prevejo excelentes resultados e perspectivas para a Universidade da Floresta, ainda mais conhecendo os parceiros que já existem e trabalham por aqui como os professores e pesquisadores do campus sede da UFAC em Rio Branco, os biólogos e antropólogos da UNICAMP, o pessoal da Universidade Federal de Viçosa e de Brasília.

Nunca vi a inserção da população num projeto de maneira tão instigante como agora percebo aqui em Cruzeiro do Sul. Há , em todos os sentidos, uma vontade soberana de fazer acontecer a participação popular nos projetos de ensino e pesquisa, uma participação que é efetiva porque não é maquiada - é viva.

 

Essa sensação me impulsiona muito, e acredito, também aos meus colegas que estão chegando comigo em Cruzeiro do Sul. Estou, assim, apresentando o projeto do Instituto da Biodiversidade e os projetos vinculados aos meus colegas. A maioria deles não tinha conhecimento sequer do que se tratava e desta forma, após o período de adaptação e reconhecimento das possibilidades, tenho certeza que o Instituto da Biodiversidade será um dos nosso melhores instrumentos de trabalho aqui na região.

 

Pergunta – Como a Universidade pode ajudar o Estado a implantar de fato políticas públicas sócio-ambientais já amplamente discutidas porém nunca efetivadas?


Prof. Marcus - Formando pessoas de espírito crítico e criativo. Preparando-as para melhor pensar sobre o futuro da região no sentido de um crescimento organizado, socialmente e ambientalmente justo. Nós, novos professores da Universidade da Floresta, estaremos dispostos a colaborar com projetos que procurem executar políticas públicas bem estruturadas, oferecendo apoio teórico e metodológico para viabilizá-las e incentivando nossos alunos na resolução de problemas aplicados. Ainda mais: estaremos sempre abertos ao diálogo com associações e cooperativas e completamente disponíveis para promover a participação efetiva da comunidade do Juruá na vida acadêmica dos novos Centros, no CEFLORA e no Instituto da Biodiversidade. 

 

 

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A UNIVERSIDADE DA FLORESTA É NOTÍCIA NO BRASIL E NO MUNDO

 

Folha On Line - Acre lança Universidade da Floresta nesta sexta-feira http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u106922.shtm

 

Ufac na Imprensa – Sonho da Universidade da Floresta já é realidade
http://www.ufac.br/informativos/ufac_imprensa/2005/03mar_2005/artigo1970.html

 

Site Terra: Amazônia ganha primeira Universidade de Floresta nascida no Acre
http://360graus.terra.com.br/ecologia/default.asp?did=19004&action=news

 

Site do Governo do Acre - Universidade da Floresta Um diálogo entre saberes
http://www.ac.gov.br/opiniao/op_07julho.htm

Jornal Tribuna do Juruá: Governador reza e visita Universidade da Floresta
http://www.tribunadojurua.com/index.php?option=com_content&task=view&id=29&Itemid=44

 

Jornal da Ciência:  Escola Yorenka Ãtame, dos Ashaninkas, dá curso para monitores da Reserva Extrativista do Alto Juruá
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=47669

 

 

Agencia Nacional da Amazônia: Universidade da Amazônia
http://server.ead.ufms.br/marcelo/meio_ambiente/deaprogrs/unifloresta/index.htm

 

Site do MEC: Expansão do ensino superior chega à divisa com o Peru
http://portal.mec.gov.br/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=6300

 

Site UOL: Em Favor da Florestania
http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2849,1.shl

 

Site Kaxiana:  SOS para os povos da floresta acreana
http://www.kaxi.com.br/artigos.php?id=452

 

Sites internacionais:

http://radical.temp.si/node/114

http://pagesperso-orange.fr/alain.ruellan/MyWebsite/page6/page5/page5.html

http://www.e-flux.com/journal/view/10

http://universes-in-universe.org/eng/magazine/articles/2008/helio_melo